As duas figuras se encaravam, na escuridão da noite. De um lado, o Espírito da Vingança. Do outro, um ser imortal, um demônio milenar. O silêncio incomodava ao Motoqueiro tanto quanto o demônio Baphomet.
- Bem, agora que você descobriu meu nome, quero minha alma de volta. Mas para isso... Preciso que o seu hospedeiro morra! – disse o demônio, dando alguns passos à frente.
- Então esqueça! Hhael Dranegnes Kuhstsas! – disse o Motoqueiro, citando um tipo de magia.
Logo ele voltara a tomar o controle de seu corpo e agora ele poderia se defender. Baphomet sorriu e seus olhos tomaram uma tonalidade estranhamente branca. O Motoqueiro preparou um soco e foi em direção ao seu atacante. Um soco penetrou na face de Baphomet e o demônio foi para trás.
- Acha que é o único que tenta me destruir? – perguntou o Motoqueiro, sem esperar resposta.
- Bem, na verdade, não. Mas eu sou o único que tenho força suficiente pra isso. – disse Baphomet, em sua forma humana.
Em seguida, o demônio aplicara um soco no Motoqueiro, fazendo com que ele voasse metros de distância. O algoz de Johnny Blaze se levantou lentamente, ainda meio tonto, já que o soco atingira seu maxilar e se surpreendeu ao ver que Baphomet não estava mais lá. Levantou-se sem entender e procurou vestígios do demônio, mas não havia nenhum sinal dele.
- CAHAM. – uma tosse veio de trás do herói, e ele entendeu que havia caído em uma armadilha.
– Acho que você deveria prestar atenção na sua retaguarda.
Desta vez, fora um chute que acertara a espinha dorsal do Motoqueiro, jogando-o longe. Enquanto isso, Baphomet falava:
- Sabe... Sempre ouvi boas histórias sobre você, mas vejo que a maioria é falsa! Veja, Mefisto disse que você é um inimigo muito forte e que se deve tomar cuidado com você. Mas eu acho que na realidade, você é um merda que acha que pode vir fazendo justiça, só por causa da morte de seu pai, aquele imbecil.
- Você não o conheceu! – disse o motoqueiro, enquanto se levantava.
- Bem, digamos que eu tive bastante tempo para conhecê-lo. Acha que aquele desgraçado foi pro céu? Fizemos questão de tê-lo ali conosco. Meu irmão anormal, Belphegor, cuida dele.
- CALE A BOCA! – disse o Motoqueiro.
Em um ataque cheio de fúria, O Motoqueiro Fantasma ergueu seu punho e correu em direção à Baphomet, que sorria. Assim que se aproximou do demônio, o herói tentou aplicar seu golpe, mas a criatura em corpo de gente o envolveu e o cenário da batalha havia mudado. Era um lugar onde tudo era avermelhado, não havia vida. Choros, lamentações e a voz do desespero fizeram o
Motoqueiro perceber onde estava.
No Inferno.
Talvez num outro tipo de Inferno no qual ele estava acostumado a andar. Aquele ali devia ser o reino de Baphomet. O herói olhou ao redor e vira que estava no centro de uma arena, juntamente com o duque demoníaco. A pele de Bill começava a derreter. Porém, no lugar das mãos humanas, uma mão cheia de garras pontudas, com veias saltadas e dez vezes o tamanho da mão de Bill.
Logo Baphomet estava transformado. Seus olhos continuaram sendo brancos, mas o temor que eles provocavam era muito maior. A criatura alcançava facilmente os quatro metros de comprimento e no topo de sua cabeça, dois chifres que se encaracolavam. Sua face era de bode, assim como a metade de seu corpo. Seu peitoral era estranho, parecia a mesma massa gelatinosa que cobria Black Heart. Em suas costas, um tridente. Talvez com ele transformado, seus poderes de hipnose não funcionavam, e apenas a força e a agilidade estava do seu lado.
Porém o Motoqueiro do mesmo jeito temia por seu destino. Sua moto não estava ali, ou seja, ele
não poderia retornar à superfície por meio dela. Olhou para as arquibancadas e vira demônios e outros seres horripilantes. Nada que ele não estivesse acostumado à ver.
- Bem vindo ao meu reino! Essa arena, que construí com a ajuda dos meu súditos, serve para sediar um dos maiores eventos do universo. Um evento que fora até marcado na história. Aqui, todos os Cavaleiros Fantasmas antes de você caíram, entregando suas almas para mim. Agora olhe bem para todas essas criaturas sedentas de sangue! – Baphomet abriu os braços e girou nos calcanhares, mostrando toda a arquibancada. – Eles esperam ver um espetáculo aqui. Façamos o seguinte trato...
- Não faço mais nenhum trato com um demônio imundo como você! – disse o Motoqueiro, sem deixar que Baphomet terminasse sua frase.
- Cara! Eu te amo! Você é muito divertido! Mas afinal, deixe-me terminar o que eu ia dizer.
Façamos o seguinte trato, você passa por todos os seus oponentes, e poderá voltar para a Terra. Afinal, não sei o que você vê de tão especial naquele lugar monótono. Aqui pelo menos, matamos e torturamos almas. – Baphomet sorriu e o Motoqueiro se irritou cada vez mais. – Portanto, sem mais delongas! Você sabe que aqui no Porão a vida passa mais depressa e que 10 meses significam 100 anos... Portanto, se você quer ver sua amada Roxanne novamente do jeitinho que você deixou, é melhor se apressar.
- Mande os seus melhores! – disse o Motoqueiro.
- Ok, eu o farei. O desafio consiste em 10000 de inimigos. – Isso fez com que o Motoqueiro se espantasse, mas Baphomet riu e continuou. – Hahahaha! Acrescentei alguns zeros aí! Na verdade são 10 inimigos. 10 inimigos mandados por mim e pelos outros duques, inclusive Samael, que não é duque, mas se comporta tão bem que “papai” o trata como um. Então que comecem os duelos. Seu primeiro oponente... SOU EU!
O Motoqueiro Fantasma não entendeu nada, mas tinha que agir assim que viu Baphomet se aproximar correndo em sua direção, em uma investida maligna. O herói pulou para o lado e por pouco não fora acertado pelos enormes braços do demônio.
- Começou bem! Mas não terá tanta sorte da próxima vez. – disse Baphomet, tirando seu tridente e partindo ao ataque novamente.
O Motoqueiro vasculhou suas costas e não encontrou suas armas. Deveria enfrentar o inimigo com as mãos nuas. Assim que viu novamente que Baphomet vinha em sua direção, o Motoqueiro começara a correr em direção ao inimigo, pronto para dar um golpe simples. Um soco na cabeça do demônio, coisa que o atordoaria por uns instantes.
Quando os dois estavam prestes a se chocar, o Motoqueiro pulou e ergueu seu punho, desferindo um soco estrondoso contra a cabeça do inimigo. Baphomet caiu no chão e tentava se levantar, ainda meio tonto. Era o momento. O Motoqueiro correu em direção ao demônio e se preparou para atingir um chute em sua face, mas as mãos gigantes de Baphomet seguraram suas pernas e o arremessaram para a arquibancada. Vários demônios foram esmagados com a força do golpe.
- Hahahahaha! Acha mesmo que esses golpes patéticos podem me vencer? Vai sonhando, homenzinho! – disse o demônio, sorrindo enquanto falava, sua gargalhada parecia o som de um vulcão em erupção.
O Motoqueiro levantou-se aos poucos, porém o tridente penetrara em sua barriga, prendendo-o na arquibancada. O herói soltou um som gutural e quando pensava em perder a consciência, teve uma idéia.
- E AGORA! O GRAND FINALLE! COITADO, NÃO PASSOU NEM DO PRIMEIRO INIMIGO! – disse Baphomet, abrindo os braços enquanto seus súditos gritavam e jogavam rosas mortas, que sumiam com o calor.
Inesperadamente para o público, Baphomet pulara milhares de metros e se preparava para descer num ataque final. O Motoqueiro deveria usar toda a sua energia para fazer o que estava pensando. Desde que o demônio pulara para o último ataque, o herói tentava tirar o tridente de seu peito e com muito esforço ele conseguira. Agora ele tinha apenas que esperar. E então Baphomet surgiu como um raio. Descia a mais de 500 quilômetros por hora e estava pronto para se chocar contra o Motoqueiro, quando este levantara o tridente com a ponta virada para cima.
O estrondo fora enorme. Um grito que deveria ter causado vários terremotos ao redor da terra fora ouvido. Dos escombros da arquibancada, saiu primeiramente o Motoqueiro, cambaleando, até cair no chão, fraco. Levantou-se lentamente e olhou para os demônios na arquibancada.
Todos estes olhavam para o herói com olhares de espasmo, raiva e surpresa.
O Motoqueiro olhou para os lados e vira que somente ele saíra ileso da batalha. O Motoqueiro Fantasma vencera um duque do inferno.
***
- Sejamos justos ao menos uma vez na vida. O Motoqueiro Fantasma vencera o primeiro desafio. – uma voz calma e solene vinha de um homem esbelto e de corpo definido, que acompanhava todo o desenrolar da batalha.
- Sim. Sem sombras de dúvidas que Baphomet perdera a batalha. Enviaremos para ele o segundo desafio. – um outro com uma aparência demoníaca pior do que Baphomet, estava ao lado do belo homem, que não tirava os olhos da arena.
- Mas desta vez... Façamos algo diferente. Mudemos o cenário e vejamos como ele vai se comportar. Ponha ele na floresta dos suicidas.
- Sim, mestre! O Senhor quer, o senhor terá.
O homem belo acenou com a cabeça e sumira com um piscar de olhos. Minutos depois, a figura humana estava na arena, para conversar com o herói que vencera o duque.
***
Quando o homem belo chegou na arena, todos os demônios se reverenciaram. Ele não pisava no chão, pois podia flutuar. Olhou o Motoqueiro Fantasma nos olhos e começara a bater palmas.
- Devo dizer que estou impressionado com você. Achei que você iria morrer finalmente. Mas não, uma seqüência de socos e, - o homem fazia uma mímica como se estivesse lutando boxe contra o vento – então você deu o contra ataque. Devo dizer novamente que estou impressionado!
O Motoqueiro sabia quem era aquele homem, assim como entendera quem era Baphomet quando ele o vira pela primeira vez. O herói não esperava encontrar aquele que fora banido dos céus e que agora comandava o Porão da Terra.
- O que quer Lúcifer? Qual é o seu objetivo com esses desafios patéticos.
- Ora! Queremos que você renuncie é claro! Queremos que a alma do Cavaleiro Fantasma passe para outra pessoa necessitada.
- Mefisto já tentou fazer isso comigo, mas nem com você eu abrirei mão de um poder que eu uso para ajudar a humanidade. E eu sei que você precisa de me consentimento para que a alma pare de pertencer a mim.
- Tem razão. Tem razão. Essa alma da Zarathos é muito importante para a humanidade. O poder... É incrível. Saiba que, na realidade, eu poderia te matar agora mesmo, acabar com tudo isso. Mas é divertido! Eu adoro vocês humanos, que se prendem a vida assim como um rato se prende à um queijo na ratoeira.
- Estou pronto para o próximo desafio, maldito! Apenas me mostre o caminho.
- Tudo bem! Você sabe que, na verdade, aquele que vende a alma para o diabo, é praticamente um suicida. E você sabe para onde todos eles vão! É irreversível. Deus não aceita aqueles que vendem a alma para o seu inimigo. Ou melhor, não aceita, por picuinha, aqueles pelo qual a pessoa vende a alma. Sabe do que eu quero dizer, não?
O Motoqueiro abaixou a cabeça. Não imaginava que coisas como essa iriam acontecer. Não imaginava que Barton Blaze foi para o Inferno por sua culpa. E ele sabia exatamente onde todos os suicidas iriam depois que morriam. Num lugar que Lúcifer e os outros demônios gostavam de chamar de A Floresta dos Suicidas. Aquele era o próximo desafio de Johnny.
***
Nova York.
Dia.
Daniel Ketch estava reunido com seus amigos em sua casa. Todos eles fumavam, enquanto outros cheiravam a cocaína presente numa mesa de vidro. Todos, menos Danny, que tentava não olhar para os seus “amigos”.
- Vai lá Danny! Dá um tapinha! – disse um, instigando o garoto a fumar a maconha.
- Hoje não. Não me sinto bem. – respondia ele.
- Ah! Qualé! Vai dá um tapinha ai! – insistia o rapaz.
- Não insista, por favor. Acho melhor vocês irem embora... Por favor, vão embora.
- Qualé, Danny, vai largar os amigos e ficar quadradão?
- Sim. Se ser quadradão é ser preocupado com a vida, então sou sim um quadradão. Olhem a merda que aconteceu com o Bill. Não quero nem pensar no que pode acontecer comigo se eu continuar nesse caminho. Agora por favor, vão embora e não voltem.
- Tudo bem Danny! Tudo bem. Mas um dia a gente volta. E não vai ser pra conversar. Seu bicha! – disse um dos fumantes, saindo da casa de Danny com pressa.
Enfim Danny Ketch mostrava certa resistência contra as drogas. Era um caminho árduo que ele deveria percorrer, para que finalmente, ele pudesse viver.
No Próximo Capítulo: O Motoqueiro encontra a verdadeira natureza da Floresta dos Suicidas, e
algumas coisas a mais. E Roxanne Simpson começa a se preocupar
com o sumiço do namorado!
Escrito por Shadow.