quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Motoqueiro Fantasma #02: A Batalha


As duas figuras se encaravam, na escuridão da noite. De um lado, o Espírito da Vingança. Do outro, um ser imortal, um demônio milenar. O silêncio incomodava ao Motoqueiro tanto quanto o demônio Baphomet.

- Bem, agora que você descobriu meu nome, quero minha alma de volta. Mas para isso... Preciso que o seu hospedeiro morra! – disse o demônio, dando alguns passos à frente.

- Então esqueça! Hhael Dranegnes Kuhstsas! – disse o Motoqueiro, citando um tipo de magia.

Logo ele voltara a tomar o controle de seu corpo e agora ele poderia se defender. Baphomet sorriu e seus olhos tomaram uma tonalidade estranhamente branca. O Motoqueiro preparou um soco e foi em direção ao seu atacante. Um soco penetrou na face de Baphomet e o demônio foi para trás.

- Acha que é o único que tenta me destruir? – perguntou o Motoqueiro, sem esperar resposta.

- Bem, na verdade, não. Mas eu sou o único que tenho força suficiente pra isso. – disse Baphomet, em sua forma humana.

Em seguida, o demônio aplicara um soco no Motoqueiro, fazendo com que ele voasse metros de distância. O algoz de Johnny Blaze se levantou lentamente, ainda meio tonto, já que o soco atingira seu maxilar e se surpreendeu ao ver que Baphomet não estava mais lá. Levantou-se sem entender e procurou vestígios do demônio, mas não havia nenhum sinal dele.

- CAHAM. – uma tosse veio de trás do herói, e ele entendeu que havia caído em uma armadilha. 
 – Acho que você deveria prestar atenção na sua retaguarda.

Desta vez, fora um chute que acertara a espinha dorsal do Motoqueiro, jogando-o longe. Enquanto isso, Baphomet falava:

- Sabe... Sempre ouvi boas histórias sobre você, mas vejo que a maioria é falsa! Veja, Mefisto disse que você é um inimigo muito forte e que se deve tomar cuidado com você. Mas eu acho que na realidade, você é um merda que acha que pode vir fazendo justiça, só por causa da morte de seu pai, aquele imbecil.

- Você não o conheceu! – disse o motoqueiro, enquanto se levantava.

- Bem, digamos que eu tive bastante tempo para conhecê-lo. Acha que aquele desgraçado foi pro céu? Fizemos questão de tê-lo ali conosco. Meu irmão anormal, Belphegor, cuida dele.

- CALE A BOCA! – disse o Motoqueiro.

Em um ataque cheio de fúria, O Motoqueiro Fantasma ergueu seu punho e correu em direção à Baphomet, que sorria. Assim que se aproximou do demônio, o herói tentou aplicar seu golpe, mas a criatura em corpo de gente o envolveu e o cenário da batalha havia mudado. Era um lugar onde tudo era avermelhado, não havia vida. Choros, lamentações e a voz do desespero fizeram o 
Motoqueiro perceber onde estava.

No Inferno.

Talvez num outro tipo de Inferno no qual ele estava acostumado a andar. Aquele ali devia ser o reino de Baphomet. O herói olhou ao redor e vira que estava no centro de uma arena, juntamente com o duque demoníaco. A pele de Bill começava a derreter. Porém, no lugar das mãos humanas, uma mão cheia de garras pontudas, com veias saltadas e dez vezes o tamanho da mão de Bill.

Logo Baphomet estava transformado. Seus olhos continuaram sendo brancos, mas o temor que eles provocavam era muito maior. A criatura alcançava facilmente os quatro metros de comprimento e no topo de sua cabeça, dois chifres que se encaracolavam. Sua face era de bode, assim como a metade de seu corpo. Seu peitoral era estranho, parecia a mesma massa gelatinosa que cobria Black Heart. Em suas costas, um tridente. Talvez com ele transformado, seus poderes de hipnose não funcionavam, e apenas a força e a agilidade estava do seu lado.

Porém o Motoqueiro do mesmo jeito temia por seu destino. Sua moto não estava ali, ou seja, ele 
não poderia retornar à superfície por meio dela. Olhou para as arquibancadas e vira demônios e outros seres horripilantes. Nada que ele não estivesse acostumado à ver.

- Bem vindo ao meu reino! Essa arena, que construí com a ajuda dos meu súditos, serve para sediar um dos maiores eventos do universo. Um evento que fora até marcado na história. Aqui, todos os Cavaleiros Fantasmas antes de você caíram, entregando suas almas para mim. Agora olhe bem para todas essas criaturas sedentas de sangue! – Baphomet abriu os braços e girou nos calcanhares, mostrando toda a arquibancada. – Eles esperam ver um espetáculo aqui. Façamos o seguinte trato...

- Não faço mais nenhum trato com um demônio imundo como você! – disse o Motoqueiro, sem deixar que Baphomet terminasse sua frase.

- Cara! Eu te amo! Você é muito divertido! Mas afinal, deixe-me terminar o que eu ia dizer. 
Façamos o seguinte trato, você passa por todos os seus oponentes, e poderá voltar para a Terra. Afinal, não sei o que você vê de tão especial naquele lugar monótono. Aqui pelo menos, matamos e torturamos almas. – Baphomet sorriu e o Motoqueiro se irritou cada vez mais. – Portanto, sem mais delongas! Você sabe que aqui no Porão a vida passa mais depressa e que 10 meses significam 100 anos... Portanto, se você quer ver sua amada Roxanne novamente do jeitinho que você deixou, é melhor se apressar.

- Mande os seus melhores! – disse o Motoqueiro.

- Ok, eu o farei. O desafio consiste em 10000 de inimigos. – Isso fez com que o Motoqueiro se espantasse, mas Baphomet riu e continuou. – Hahahaha! Acrescentei alguns zeros aí! Na verdade são 10 inimigos. 10 inimigos mandados por mim e pelos outros duques, inclusive Samael, que não é duque, mas se comporta tão bem que “papai” o trata como um. Então que comecem os duelos. Seu primeiro oponente... SOU EU!

O Motoqueiro Fantasma não entendeu nada, mas tinha que agir assim que viu Baphomet se aproximar correndo em sua direção, em uma investida maligna. O herói pulou para o lado e por pouco não fora acertado pelos enormes braços do demônio.

- Começou bem! Mas não terá tanta sorte da próxima vez. – disse Baphomet, tirando seu tridente e partindo ao ataque novamente.

O Motoqueiro vasculhou suas costas e não encontrou suas armas. Deveria enfrentar o inimigo com as mãos nuas. Assim que viu novamente que Baphomet vinha em sua direção, o Motoqueiro começara a correr em direção ao inimigo, pronto para dar um golpe simples. Um soco na cabeça do demônio, coisa que o atordoaria por uns instantes.

Quando os dois estavam prestes a se chocar, o Motoqueiro pulou e ergueu seu punho, desferindo um soco estrondoso contra a cabeça do inimigo. Baphomet caiu no chão e tentava se levantar, ainda meio tonto. Era o momento. O Motoqueiro correu em direção ao demônio e se preparou para atingir um chute em sua face, mas as mãos gigantes de Baphomet seguraram suas pernas e o arremessaram para a arquibancada. Vários demônios foram esmagados com a força do golpe.

- Hahahahaha! Acha mesmo que esses golpes patéticos podem me vencer? Vai sonhando, homenzinho! – disse o demônio, sorrindo enquanto falava, sua gargalhada parecia o som de um vulcão em erupção.

O Motoqueiro levantou-se aos poucos, porém o tridente penetrara em sua barriga, prendendo-o na arquibancada. O herói soltou um som gutural e quando pensava em perder a consciência, teve uma idéia.

- E AGORA! O GRAND FINALLE! COITADO, NÃO PASSOU NEM DO PRIMEIRO INIMIGO! – disse Baphomet, abrindo os braços enquanto seus súditos gritavam e jogavam rosas mortas, que sumiam com o calor.

Inesperadamente para o público, Baphomet pulara milhares de metros e se preparava para descer num ataque final. O Motoqueiro deveria usar toda a sua energia para fazer o que estava pensando. Desde que o demônio pulara para o último ataque, o herói tentava tirar o tridente de seu peito e com muito esforço ele conseguira. Agora ele tinha apenas que esperar. E então Baphomet surgiu como um raio. Descia a mais de 500 quilômetros por hora e estava pronto para se chocar contra o Motoqueiro, quando este levantara o tridente com a ponta virada para cima.

O estrondo fora enorme. Um grito que deveria ter causado vários terremotos ao redor da terra fora ouvido. Dos escombros da arquibancada, saiu primeiramente o Motoqueiro, cambaleando, até cair no chão, fraco. Levantou-se lentamente e olhou para os demônios na arquibancada. 

Todos estes olhavam para o herói com olhares de espasmo, raiva e surpresa.

O Motoqueiro olhou para os lados e vira que somente ele saíra ileso da batalha. O Motoqueiro Fantasma vencera um duque do inferno.

                                                                ***

- Sejamos justos ao menos uma vez na vida. O Motoqueiro Fantasma vencera o primeiro desafio. – uma voz calma e solene vinha de um homem esbelto e de corpo definido, que acompanhava todo o desenrolar da batalha.

- Sim. Sem sombras de dúvidas que Baphomet perdera a batalha. Enviaremos para ele o segundo desafio. – um outro com uma aparência demoníaca pior do que Baphomet, estava ao lado do belo homem, que não tirava os olhos da arena.

- Mas desta vez... Façamos algo diferente. Mudemos o cenário e vejamos como ele vai se comportar. Ponha ele na floresta dos suicidas.

- Sim, mestre! O Senhor quer, o senhor terá.

O homem belo acenou com a cabeça e sumira com um piscar de olhos. Minutos depois, a figura humana estava na arena, para conversar com o herói que vencera o duque.

                                                               ***

Quando o homem belo chegou na arena, todos os demônios se reverenciaram. Ele não pisava no chão, pois podia flutuar. Olhou o Motoqueiro Fantasma nos olhos e começara a bater palmas.

- Devo dizer que estou impressionado com você. Achei que você iria morrer finalmente. Mas não, uma seqüência de socos e, - o homem fazia uma mímica como se estivesse lutando boxe contra o vento – então você deu o contra ataque. Devo dizer novamente que estou impressionado!

O Motoqueiro sabia quem era aquele homem, assim como entendera quem era Baphomet quando ele o vira pela primeira vez. O herói não esperava encontrar aquele que fora banido dos céus e que agora comandava o Porão da Terra.

- O que quer Lúcifer? Qual é o seu objetivo com esses desafios patéticos.

- Ora! Queremos que você renuncie é claro! Queremos que a alma do Cavaleiro Fantasma passe para outra pessoa necessitada.

- Mefisto já tentou fazer isso comigo, mas nem com você eu abrirei mão de um poder que eu uso para ajudar a humanidade. E eu sei que você precisa de me consentimento para que a alma pare de pertencer a mim.

- Tem razão. Tem razão. Essa alma da Zarathos é muito importante para a humanidade. O poder... É incrível. Saiba que, na realidade, eu poderia te matar agora mesmo, acabar com tudo isso. Mas é divertido! Eu adoro vocês humanos, que se prendem a vida assim como um rato se prende à um queijo na ratoeira.

- Estou pronto para o próximo desafio, maldito! Apenas me mostre o caminho.

- Tudo bem! Você sabe que, na verdade, aquele que vende a alma para o diabo, é praticamente um suicida. E você sabe para onde todos eles vão! É irreversível. Deus não aceita aqueles que vendem a alma para o seu inimigo. Ou melhor, não aceita, por picuinha, aqueles pelo qual a pessoa vende a alma. Sabe do que eu quero dizer, não?

O Motoqueiro abaixou a cabeça. Não imaginava que coisas como essa iriam acontecer. Não imaginava que Barton Blaze foi para o Inferno por sua culpa. E ele sabia exatamente onde todos os suicidas iriam depois que morriam. Num lugar que Lúcifer e os outros demônios gostavam de chamar de A Floresta dos Suicidas. Aquele era o próximo desafio de Johnny.

                                                                   ***

Nova York.

Dia.

Daniel Ketch estava reunido com seus amigos em sua casa. Todos eles fumavam, enquanto outros cheiravam a cocaína presente numa mesa de vidro. Todos, menos Danny, que tentava não olhar para os seus “amigos”.

- Vai lá Danny! Dá um tapinha! – disse um, instigando o garoto a fumar a maconha.

- Hoje não. Não me sinto bem. – respondia ele.

- Ah! Qualé! Vai dá um tapinha ai! – insistia o rapaz.

- Não insista, por favor. Acho melhor vocês irem embora... Por favor, vão embora.

- Qualé, Danny, vai largar os amigos e ficar quadradão?

- Sim. Se ser quadradão é ser preocupado com a vida, então sou sim um quadradão. Olhem a merda que aconteceu com o Bill. Não quero nem pensar no que pode acontecer comigo se eu continuar nesse caminho. Agora por favor, vão embora e não voltem.

- Tudo bem Danny! Tudo bem. Mas um dia a gente volta. E não vai ser pra conversar. Seu bicha! – disse um dos fumantes, saindo da casa de Danny com pressa.

Enfim Danny Ketch mostrava certa resistência contra as drogas. Era um caminho árduo que ele deveria percorrer, para que finalmente, ele pudesse viver.

No Próximo Capítulo: O Motoqueiro encontra a verdadeira natureza da Floresta dos Suicidas, e 
algumas coisas a mais. E Roxanne Simpson começa a se preocupar
com o sumiço do namorado!

Escrito por Shadow.

Motoqueiro Fantasma #01: Encontros Diabólicos

Motoqueiro Fantasma #01 – Encontros diabólicos

Noite.

Na calmaria de Nova York, um carro entra em um beco e ali desaparece. Na escuridão, um homem sai do veículo e se dirige até um outro sentado encima da lata de lixo.

- Demorou, hein? – diz o homem misterioso, pulando da lata.

- Poxa, o filho da mãe do Gerome não quis liberar pra mim a droga. Então apaguei ele. Mas tá aqui. 
Conforme o prometido.

- Valeu, Bill! Tá ligado que tu é meu parceiro né?

- Claro, Danny! Só não deixa seu irmão ficar sabendo, beleza?

- Sussa. Aí, to indo embora! Depois o chamuscado aparece aí e eu to fodido.

- Beleza. Até mais então.

O homem entra no carro e parte. Traficantes vivem apenas para estragar a vida das pessoas. E era isso que estava acontecendo com Danny Ketch. Viciado em maconha e crack.

O carro arrancou pela rua escura e por dois quilômetros fora tudo tranqüilo. Tudo tranqüilo demais. Um barulho de moto ensurdecedor preencheu seu ouvido, mas logo sumiu. Isso assustou o traficante Bill. Olhou para trás e nada viu, apenas a poeira que seu carro levantava.

Quando olhou para frente, uma surpresa. O Motoqueiro Fantasma estava na sua frente. Sua moto lendária pegava fogo. Uma corrente estava em suas mãos. Um macacão de motoqueiro preto com pequenos espinhos saindo de seu ombro dava um toque mais sombrio à criatura. Em suas costas, uma arma calibre 12 com um estilo fantasmagórico.

Bill brecou com toda a força seu carro e olhou para os lados. Uma cabana velha no meio de uma floresta pequena se destacava em meio à paisagem. Bill saiu de seu carro e correu o mais rápido possível para a cabana. Enquanto isso, o Motoqueiro se deliciava com a situação. Mais um pecador pagaria por seus pecados.

O herói não estava com pressa. Caminhava lentamente enquanto Bill corria rapidamente para tentar escapar de seu destino marcado. A casa era simples, sem iluminação e com um cheiro ardido e estranho. O traficante empunhou sua pistola e apontou para a entrada da casa. Passos fora do recinto começaram a ressoar pelo lar desabitado.

Suor escorria das têmporas de Bill, e ele limpava o seu nariz freqüentemente. O terror estava se apossando de seu corpo mortal. Logo não só os passos, mas também as correntes se fizeram ouvir. Uma risada maléfica e nada mais fora ouvido desde então.

Bill olhava para os lados, buscando qualquer vestígio de que o Motoqueiro não havia ido embora. Mas nada mais fora ouvido. Nem um som, nada. O traficante, agora assustado, engatilhou sua arma e olhou para ela. 

Uma confiança se apossava de sua alma. Uma confiança errônea é claro.

O barulho ensurdecedor da moto e da morte assustou Bill e fez com que ele desse dois tiros para cima, furando o telhado da casa. Uma risada maléfica e o silêncio aterrador novamente atacou.

- O que quer de mim? – gritou Bill.

- Sua vida. – sussurrou o motoqueiro, ao lado de sua vítima.

Bill apontou a arma para o herói e atirou inúmeras vezes, mas nenhum tiro surtiu efeito. O motoqueiro passou a mão de leve sobre sua jaqueta agora furada e as balas caíram no chão. O ser obscuro, com uma cabeça em chamas, pegou sua arma calibre 12 e apontou para o inimigo.

Bill chorou como um bebê e atirou mais duas vezes, até a arma travar.

- Por favor! Não faça nada comigo! – implorou aquele homem maldoso.

- Sua sentença já foi dada. Culpado! – a caveira ambulante disse.

O Motoqueiro guardou novamente sua arma e se aproximou de Bill, que recomeçara a chorar. As mãos esqueléticas do herói grudou no colarinho do traficante e levantou-o centímetros do chão. As pernas de Bill ficaram suspensas no ar, enquanto o Motoqueiro o encarava com seus dentes e sua cabeça flamejante.

O traficante ainda continuava a chorar como um bebê, mas isso não atingia o emocional do herói fantasma, talvez este nem o tivesse. O Motoqueiro ergueu Bill mais alto e o jogou para o outro lado da pequena casa. Bill caiu e assim ficou, tentando fingir que estava morto. Mas o som de seu coração era suficientemente alto para Johnny Blaze, o Motoqueiro Fantasma, entender a jogada.

Blaze o ergueu mais uma vez do chão e dessa vez Bill recomeçara a chorar.

- Olhe nos meus olhos! – disse o herói.

E o Olhar da Penitência, a arma mais mortal de todo cavaleiro fantasma, fez mais uma vítima. O sangue de inocentes fora derramado pelas mãos daquele traficante que acabara com a vida de Danny Ketch.
Johnny Blaze caminhou lentamente até a saída, deixando aquele homem morto com os olhos petrificados jogado no chão. Subiu em sua moto que o esperava e assim partiu na noite, até que o som e a imagem flamejante fossem apagadas pela escuridão.

O dia raiou e Danny Ketch acordou. Tomou um banho relaxante e tomou seu café da manhã. Sua aparência estava acabada. Olheiras profundas, nariz vermelho, pupilas dilatadas e um corpo magro, extremamente magro. Ouviu um barulho estranho na sala de estar. Pegou uma faca no caso de ser um invasor e foi ao encontro do som. Olhou para os lados da sala, mas nada viu.

- Bom dia. – uma voz estranha, porém familiar assustou Danny.

O garoto se virou para encarar o invasor e viu Johnny Blaze. Ele estava com o cabelo bagunçado, olhos com remelas. Se espreguiçou e Danny perguntou:

- O que está fazendo aqui?

- Uma visita ao meu irmão.

- Cê tá fedendo à enxofre!

- Nossa, nem percebi. 

- Tá, acho melhor tu ir embora agora... Não to me sentindo bem!

- Mas é claro, VOCÊ FICA SE DROGANDO! – Johnny se exaltou.

Danny o olhou nos olhos e abaixou a cabeça, uma lágrima caiu no chão e o garoto deu as costas ao irmão, caminhando para o banheiro.

- EU TE AVISEI MUITO BEM SOBRE EM QUE ESTAVA SE INTROMETENDO! MAS VOCÊ NÃO LIGOU! NÃO DEU A MÍNIMA! – gritou Johnny.

- VOCÊ SABE QUE EU NÃO REAJI BEM COM A MORTE DO PAPAI! VOCÊ SABE JOHNNY, VOCÊ SABE COMO EU SOFRI! MAS AO INVÉS DE FICAR DO MEU LADO, FICOU COM A ROXANNE! ÓTIMO IRMÃO É VOCÊ! QUER SABER? QUERO QUE VOCÊ MORRA NO INFERNO!

Danny agora estava descontrolado, olhava para Johnny com olhos de um serial killer. Correu em direção ao irmão com o punho levantado, e com uma rapidez, Johnny conseguira se esquivar do soco que vinha direto à sua face.

- Mas que droga Danny! Pare e pense se isso é certo! – Johnny disse, olhando nos olhos do irmão, enquanto segurava seu braço.

Danny agora parecia se acalmar, e por isso Johnny deixou com que ele tivesse seus braços livres. Sentou-se na cama desarrumada e olhou para o irmão mais velho, havia lágrimas em seus olhos, sem falar em suas bochechas rosadas e olhar pecador.

- Você sabe como foi difícil pra mim? Você pode ter levado numa boa toda essa merda que aconteceu com a nossa família, mas eu não!

- Isso foi a décadas Danny. Está na hora de esquecer.

- Ah! Esquecer? Sabe quando você idolatra uma pessoa, e de repente, essa pessoa morre de um jeito que você nunca imaginou que iria acontecer? Pois é! Papai era tudo pra mim! Tudo! Eu o amava tanto e você sempre foi o filho bastardo! O maldito que nunca pensou em pelo menos uma vez na vida em abraçar o seu velho! Sabe por que Johnny? Por que você tinha o maldito envolvimento com a vadiazinha da Roxanne. – A face de Danny começou a se deformar, voltando a ficar cheia de ódio e rancor. – E então, papai morreu. Você sofreu, lógico! Sofreu mais por outro motivo do que a morte do papai! Agora, você nunca esteve presente em minha vida! Ótimo irmão mais velho que eu tenho! Eu precisava de ajuda. E sabe onde eu encontrei?! Isso mesmo, em Bill. Ele me ajudou a superar tudo o que me afligia. Me ensinou o verdadeiro significado da vida! Mas quer saber? Eu não me importo com essa merda de vida! Se um dia eu morrer, você nem ninguém vai se importar.

- Não diga isso Danny. Eu te amo! Você é meu irmão! – Johnny agora deixava com que lágrimas saíssem de seus olhos.

- Olha... Só suma daqui e nunca mais apareça! Deixe minha vida e deixe com que eu me foda nessa merda toda!

Johnny abaixou a cabeça e olhou novamente para o seu irmão. Como a droga podia mudar uma pessoa de uma maneira inimaginável. Ódio e rancor foram as coisas que o pai de Danny e Johnny sempre abominara, mas devido às parcerias, Danny estava mudado. Talvez para sempre.

Saiu do apartamento sem nada dizer. Montou em sua moto e assim partiu. Como ele podia ser tão fraco à ponto de deixar com que seu próprio irmão o fizesse se sentir um monstro horrível. Justo ele, aquele herói que salvara Felicia Hardy da morte certa pelas mãos de Tantibus, o demônio agora preso nos quintos do inferno. Algum laço espiritual os unia. Era algo estranho, mas Johnny não tinha tempo de pensar no caso. 

Acelerou sua moto e depois de dois quilômetros ele chegara ao seu destino. Precisava ver um rosto amigo, precisava de alguém para desabafar. E esse alguém era Roxanne.

Atravessou uma pequena rua sem muito movimento e assim encontrou o prédio em que ela morava. Havia várias pichações dentro e fora do edifício. Um degrau de madeira estava quebrado, afundado como se alguém tivesse pulado ali inúmeras vezes, até quebrar. O cheiro ruim de bebida invadiu suas narinas, e ele espirrou, precisava tirar sua namorada dali de alguma maneira.

Bateu numa porta de número 23 e Roxanne abriu. Ele a olhou profundamente nos olhos e a abraçou. O cheiro gostoso do perfume fez com que sua crise de espirro cessasse. Ela o empurrou gentilmente e perguntou:

- Johnny, o que está acontecendo?

- É o Danny. Ele está se afundando nas drogas. E agora que eu vejo onde você mora, me dá uma vontade louca de te arranjar um lugar melhor. Mas você sabe que eu em breve estarei comprando aquela casa e iremos morar ali.

- Johnny, não tenho pressa. Quanto ao Danny, só depende dele sair dessa vida. Você não pode sofrer por ele.

- Eu não entendo como isso pode acontecer com esses garotos de hoje em dia! Nenhum deles tem a cabeça no lugar.

O dia passou e Johnny avisou que tinha que voltar à rotina diária de ser o Motoqueiro Fantasma. Ele não se lembrava de nada do que acontecia quando ele se transformava no Espírito da Vingança, apenas breves flashes memoriais. Deu um longo beijo em Roxanne e partiu, assim como o sol.

Logo a noite começara a cair, a sombra dos prédios sumia, dando lugar à penumbra noturna. E a cabeça do espírito da vingança era a única iluminação. A moto já passava de 180 por hora e o Motoqueiro não parava de acelerar. Embora fossem diferentes, a alma de Johnny Blaze ainda sofria por Danny Ketch.

Na verdade, Danny não era praticamente um irmão. Ele era filho de Barton Blaze, mas depois que a mãe dele morreu, buscou refugio com o pai. Depois de Barton ter morrido, Danny não suportara muito e acabou se afundando em drogas. E era isso que deixava Johnny irritado.

Empinou a moto e arrancou pela rua vazia e silenciosa. Conhecia a cidade com a palma das mãos esqueléticas e sabia muito bem que, naquele horário, aquela rua era muito movimentada. Aquilo era deveras estranho.

Sentiu um frio incomum e uma chuva ácida começara. Ele sabia o que aquilo significava. A moto agora parecia se tornar independente. Aqueles eram sinais da criatura que ele mais odiava. A criatura que matou seu pai. A criatura que transformara sua vida num inferno, literalmente. Mephistópheles. Ou Mefisto. Um dos duques do Inferno.

A moto o levara até uma rua escura e estranha, apenas pelo fato de Johnny não conhecê-la. O veículo parou e o Motoqueiro desceu. Um raio tocou o chão e um enorme estalo se fez ouvir. O Motoqueiro tampou os olhos e depois de um tempo, quando a luz azulada cessou, olhou para frente. Ali, diante de seus olhos, estava Bill. “Mas como é possível?” pensou o Motoqueiro. Ele aplicara naquele traficante o temível olhar da penitência, mas agora ele caminhava.

O sorriso em sua face era de alguém que vira o outro lado da vida, o Motoqueiro sabia disso. Ficara com o mesmo sorriso quando vira o inferno e como ele era. A moto recuou metros de distância em marcha ré e o Motoqueiro Fantasma caminhava para frente contra sua vontade.

Ainda assim, Bill continuava parado, com um olhar estranho. Seus olhos antes petrificados agora tinham uma coloração vermelho-amarronzado. Minutos depois, o Motoqueiro parara, parecia que a hipnose a qual ele fora submetido, havia acabado.

- Como está, Johnny?

- Mefisto! – reconheceu o Motoqueiro.

- Oh! Mefisto?! Eu?! Está enganado, meu amigo.

- O que quer de mim?

- Eu quero a sua alma, que me pertence.

- Eu já disse que você não a terá, Mefisto.

- Eu já disse. Não sou Mefisto, meu irmão caçula. Não confunda as coisas.

Johnny não entendia o que estava acontecendo. A alma que possuíra Bill emanava uma aura diferente da de Mefisto, desta vez. Ele tinha que descobrir quem era aquela criatura, que se intitulou irmão mais velho de Mefisto.

- Quem é você? – perguntou o Motoqueiro.

- Oras, não sabe quem sou eu? Eu sou responsável pela sua alma. Zarathos é minha criação!

- Lúcifer?

- Chega de chutes! Vou lhe dar algumas dicas. Não sou Lúcifer, meu pai, se eu o fosse, a Terra já estaria nas Trevas.

- Diga-me quem é, seu bastardo desgraçado!

- Uh! Blasfêmias e mais blasfêmias. Como eu adoro isso.

O Motoqueiro tentou correr e aplicar um soco contra a criatura, mas percebeu que seu corpo não podia se mover.

- Seguinte. Estas são as melhores dicas que eu posso lhe dar. Afinal, as charadas são as coisas que mais me divertem, além de ver vocês, pragas de Deus, brigando por um pedaço de terra. Lá vai: Eu era adorado pelos Templários, homens bons da época das Cruzadas. Sabe, foram eles que me deram força para eu ser o que sou hoje. Tempo depois, a Maçonaria. Esses malditos maçônicos sabem como me louvar. E eu os amo, assim como o seu Deus ama a sua horrível criação de barro.

Agora tudo fazia sentido. O Motoqueiro sabia quem era aquele homem, ou melhor, demônio parado à sua frente. Era a criatura que fora pintada por Levi, um século atrás. E agora ela se encontrava diante dele, com a face de um homem, mas o coração de um desumano.

- Baphomet. – sussurrou o Motoqueiro.

Em breve: A primeira batalha de Motoqueiro Fantasma contra Baphomet, e Danny luta contra as drogas!

Continua

Shadow

Boas Vindas

Aqui é mais uma extensão do blog shuriken RPG. Agora este blog irá se tratar APENAS das histórias criadas por mim. Até lá!